CRM-SP 121547 · RQE 37181
Sou diabético e a minha visão embaçou: o que fazer agora
No diabetes, a visão embaçada nem sempre vem do grau. Ela pode vir da retina. O Prof. Dr. Murilo Wendeborn Rodrigues Jr. é médico oftalmologista com atuação em retina e faz essa investigação em São José do Rio Preto. O doutorado dele, no Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto, foi um ensaio clínico sobre edema macular diabético.
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Por que o diabetes afeta a visão?
O açúcar alto por muito tempo danifica os vasos pequenos da retina. Eles ficam frágeis, vazam líquido e gordura, entopem e deixam áreas da retina sem irrigação. Esse conjunto se chama retinopatia diabética. Quando o vazamento atinge a mácula, gerando inchaço (edema macular diabético), a visão central, de detalhe, embaça.
Visão embaçada no diabetes é sempre retinopatia?
Não. A variação do açúcar no sangue muda o grau temporariamente e embaça a visão por alguns dias. Catarata também é mais frequente e mais precoce em quem tem diabetes. E existe a retinopatia, que precisa de exame de retina para ser vista. Quem separa essas causas é a consulta com exame do fundo do olho.
O que é o edema macular diabético?
É o acúmulo de líquido na mácula, a área central da retina, causado pelo vazamento dos vasos doentes. É a causa mais comum de perda de visão em quem tem diabetes, e pode acontecer em qualquer fase da retinopatia. O exame que mostra e mede esse líquido é a OCT.
O doutorado do Dr. Murilo foi sobre esta doença. Ver a pesquisaDá para ter retinopatia sem sentir nada?
Sim, e é o caso mais comum no início. A retinopatia diabética costuma não dar sintoma enquanto não atinge o centro da visão ou não provoca sangramento. É por isso que o exame de retina é feito por rotina em quem tem diabetes, e não apenas quando a visão muda.
Com que frequência o diabético deve examinar os olhos?
O exame de retina é feito pelo menos uma vez por ano em quem tem diabetes, e com intervalo menor quando já existe alteração. A frequência é definida pelo médico conforme o estágio da retinopatia e o controle do açúcar. Na gravidez, o acompanhamento é mais próximo.
Quando a retinopatia diabética precisa de laser?
O laser é indicado principalmente na forma proliferativa, quando a retina, sem irrigação, passa a criar vasos anormais que podem sangrar e descolar a retina. O laser trata as áreas mal irrigadas e reduz esse estímulo. Ele também é usado no edema macular diabético que não responde bem às injeções, conforme o que a OCT mostra.
Ver como é o laser de retinaQuando é indicada a injeção?
A injeção intravítrea é o tratamento mais usado no edema macular diabético, porque age sobre o vazamento dos vasos que enche a mácula de líquido. Ela também é usada em parte dos casos de retinopatia proliferativa, junto do laser. A escolha entre os dois, ou a combinação, depende do exame.
Ver como é a injeção intravítreaDá para recuperar a visão já perdida?
Depende do que foi afetado e de há quanto tempo. Quando a perda vem de líquido na mácula, tirar esse líquido pode melhorar a visão. Quando já houve dano nas células da retina, a parte perdida não se recupera, e o tratamento passa a ser evitar que piore. Essa avaliação é individual e é feita na consulta.
Existe pesquisa publicada sobre o edema macular diabético aqui?
Sim. O doutorado do Dr. Murilo foi concluído em 2020 na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, com um ensaio clínico que comparou dois medicamentos para o edema macular diabético persistente. A tese tem texto completo aberto no repositório da USP, e o link abaixo leva direto a ela.
O Dr. Murilo fez doutorado na área do diabetes e é primeiro autor de artigos publicados sobre o tema, em 2013 e em 2020.
DOUTORADO
Doutorado concluído na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, em 2020, com um ensaio clínico que comparou dois medicamentos para o edema macular diabético persistente.
Por que isso importa aqui: edema macular diabético é a causa mais comum de perda de visão no diabetes, e é uma das condições tratadas com laser e com injeção pelo Dr. Murilo.
"Ensaio clínico randomizado comparando triancinolona e bevacizumabe para tratamento do edema macular diabético persistente" · FMRP-USP, 2020
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